quinta-feira, 22 de maio de 2014

4º BlogProg - Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais


Saí de Fortaleza as 6:55 do dia 16 de maio de 2014 rumo ao 4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais que aconteceria nos dias 16,17 e 18 de maio de 2014 no Hotel Braston SP.

O evento começou as 9:30 com o Debate: Mídia, poder e contrapoder. 
Eu já ciente que perderia essa mesa, nem despachei minha bagagem e levei a mala como bagagem de mão para não perder tempo na esteira.

O ponto culminante estava por vir:
11:30 - Palestra do ex-presidente Luis Inácio da Silva
Coordenação da Mesa: Conceição Lemes (SP) e Enio Barroso (SP)
Cheguei em cima da hora mas a tempo de ouvir nosso amado LULA. Ouvir LULA é alimento para o espírito. Motivação para continuar na luta por um Brasil cada vez melhor. E ele estava inspiradíssimo! Falou por mais de uma hora para o delírio dos blogueir@s que se renderam a tietagem. Foi um privilégio estar presente. Nosso querido LULA defendeu a democratização da comunicação e se mostrou totalmente engajado na luta contra o monopólio midiático.

Após a euforia gerada com a presença de LULA e o almoço na companhia de amig@s blogueir@s voltamos ao auditório do Hotel Braton para a continuação dos trabalhos.
14:30 - Debate: A mídia na América Latina
Debatedores: Iroel Sánchez, Cuba (criador do site Cuba Debate) e Osvaldo Leon, Equador (interante da Agência Latinoamericana de Informação e Eduardo Guimarães, Brasil (Blog da Cidadania)
Coordenação da mesa: Débora Cruz (DF) e Theo Rodrigues (RJ)
Minha dificuldade com o espanhol evidenciou-se. Por ter estado em Cuba há poucos dias fiquei feliz em ouvir Iroel Sánchez embora tenha compreendido pouco do que foi falado. O blogueiro cubano falou sobre a conjuntura midiática internacional e ressaltou os ataques midiáticos sistemáticos do governo dos Estados Unidos a Cuba e à soberania de outros países. 
O equatoriano Osvaldo Leon, da Agência Latinoamericana de Informação, destacou a importância da integração para fortalecer governos progressistas na América Latina, e afirmou a necessidade da construção do que chamou de uma “ciberpaz” mundial. O blogueiro do Blog da Cidadania e do Movimento Sem Mídia, Eduardo Guimarães relatou sua experiencia profissional por toda a América Latina e a grande concentração de mídia nas mãos de poucos tal qual no Brasil.

17:30 - Debate: A luta pela democratização da mídia no Brasil
Debatedores: Renata Mielli (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC), Luciana Santos (Deputada Federal do PC do B/PE) e Laurindo Lalo Leal Filho (professor da USP e ex-ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação - EBC)
Coordenação da mesa: Conceição Oliveira (SP) e Diógenes Brandão (PA)


A noite é o momento de rever amig@s, de tanto interagirmos na rede, somos quase uma irmandade.
Com Maria José Rego (GO) e Fernanda (ES)
17 de maio, sábado
Segundo dia - Redes sociais e juventude em debate
9:00 - Debate: A Juventude e a força das novas mídias
Debatedores: Renato Rovai (Revista Fórum), Pablo Capilé (Fora do Eixo) e Béa Tibiriçá (Coletivo Digital)
Coordenação da mesa: Daniel Bezerra (CE) e Aparecido Araújo (SP)

A tarde, uma metodologia diferente: as desconferências
14:00 - Troca de experiências sobre a blogosfera e o ciberativismo
Foram formados seis grupos. Como membro do Fórum de Mulheres no Fisco - FMFi, escolhi o Grupo 1 onde Lola Aronovich era convidada.
Grupo 1 - Convidados: Lola Aronovich (CE, Blog Escreva Lola Escreva), Fernando Brito (RJ, Tijolaço) e Altino Machado (AC, Blog do Altino e Blog da Amazônia)
Responsável por iniciar os trabalhos do grupo:  Dimas Roque (SE)
Meu espírito feminista ficou em festa com as palavras de Lola.


18:00 - Debate: Venezuela, conflitos sociais e manipulação da mídia
Debatedores: João Pedro Stédile (MST), Breno Altman (site Opera Mundi) e Igor Fuser (prof. da Universidade Federal do ABC Paulista)
Coordenação da mesa: Dani Tristão (RJ) e Daniel Dantas (RN)

Momentos muito ricos!!!

Encontros!

Queridíssimo Enio Barroso do Blog O PTrem das Treze.
A amiga Conceição Oliveira do Blog da Maria Frô
A divertida Vera Nilce, parceira de ativismo digital


Tietagem !
Eduardo Guimarães do Blog da Cidadania e Movimento Sem Midia

Fernando Brito, do Tijolaço.
Iroel Sánchez, criador do site Cuba Debate e do Blog La pupila insomne.

 Rodrigo Vianna, do Escrevinhador e Enio PTrem

Pablo Capilé do Fora do Eixo

Lola, do Escreva Lola Escreva
e a amiga ativista digital Maria José Rego


De saída para a noite

Conferindo a Virada Cultural em SAMPA


Muitos afetos, amizades

18 de maio, domingo
9:00 - Plenária final
Coordenação da mesa: Tatiane Pires, Altamiro Borges e Rodrigo Vianna.
Pauta:
* relato das propostas dos grupos;
* debate e votação da Carta de São Paulo;
* plano de ação do movimento de blogueiros - prioridades;
* eleição da nova Comissão Nacional Organizadora;
* definição do local do 5BlogProg em 2016.

Este ano o número de mulheres participantes aumentou consideravelmente.  Em tempos de eleições com recorte de gênero onde o machismo é forte, a contribuição das mulheres protagonistas é significativamente importante.

E chega o final. Pego um taxi cedo para o aeroporto. Uma chuva torrencial atrasou os voos.... Meia noite cheguei em Fortaleza repleta de informações e energizada para a luta por democratização da comunicação.  

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O Calvário de José Dirceu

 Hoje nosso comandante José Dirceu vive seu calvário.




A perseguição, o linchamento moral das acusações sem provas, a farsa de um julgamento onde provas de inocência foram ocultadas,  condenação sem provas baseada na teoria do domínio do fato, desrespeito a constituição, ao Pacto de San José da Costa Rica e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.





Um tribunal acossado pelo poder da mídia tradicional com seus interesses políticos, jogando uma parcela da população contra pessoas que dedicaram sua vida a luta por um mundo mais igualitário.


Não bastou acusar, tinha que prender, maltratar, humilhar... não satisfeitos, isolaram e torturam num flagrante desrespeito a lei.

Calvário que faz vítimas inocentes passarem por muito sofrimento na caminhada.  

Companheiro, você tem coragem de enfrentar porque acredita que o sofrimento vale quando a causa é justa. E haverá causa mais justa do que lutar por um país onde as pessoas tenham mais oportunidades?




Tua vida é exemplo de amor-doação.  Se o caminho do calvário te apresenta o sofrimento, nós te oferecemos nossa solidariedade, nosso amor e nossa luta.
Buscaremos todas as instancias para garantir teus direitos que também são nossos.


Tua cruz está pesada companheiro!
Vamos lutar permanentemente para livrá-lo desse calvário. 
A verdade prevalecerá e te libertará!!!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Tagore

Rabindranath Tagore (7 de maio de 1861 - 7 de agosto de 1941), alcunha Gurudev, foi um polímata bengali. Como poeta, romancista, músico e dramaturgo, reformulou a literatura e a música bengali no final do século XIX e início do século XX. Como autor de Gitânjali, que em português se chamou "Oferenda Lírica"e seus "versos profundamente sensíveis, frescos e belos", sendo o primeiro não-europeu a conquistar, em 1913, o Nobel de Literatura, Tagore foi talvez a figura literária mais importante da literatura bengali. Foi um destacado representante da cultura hindu, cuja influência e popularidade internacional talvez só poderia ser comparada com a de Gandhi, a quem Tagore chamau 'Mahatma' devido a sua profunda admiração por ele. (Wikipédia)
"Se choras porque não consegues ver o Sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas."
"Se choras porque não consegues ver o Sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas."


"Senhor!Dá-me a esperança, leva de mim a tristeza e não a entrega a ninguém.
Senhor! Planta em meu coração a sementeira do amor e arranca de minha alma as rugas do ódio.
Ajuda-me a transformar meus rivais em companheiros, meus companheiros em entes queridos.
Dá-me a razão para vencer minhas ilusões.
Deus! Conceda-me a força para dominar meus desejos.
Fortifica meu olhar para que veja os defeitos de minha alma e venda meus olhos para que eu não cometa os defeitos alheios.
Dá-me o sabor de saber perdoar e afasta de mim os desejos de vingança.
Ajuda-me a fazer feliz o maior número de possível de seres humanos, para ampliar seus dias risonhos e diminuir suas noites tristonhas.
Não me deixe ser um cordeiro perante os fortes e nem um leão diante dos fracos.
Imprime em meu coração a tolerância e o perdão e afasta de minha alma o orgulho e a presunção.
Deus! Encha meu coração com a divina fé...Faz-me uma mulher realmente justa"
Tagore

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Quem tem medo das doações

Por Paulo Moreira Leite

Tentativa de criminalizar arrecadação dos réus da AP 470 procura esconder críticas cada vez maiores ao julgamento

Só quem ainda não entendeu o que está acontecendo com a ação penal 470 implica com as doações recebidas por Genoino e Delúbio Soares.

Basta fazer uma conta de aritmética simples para entender que são números compatíveis, por exemplo, com o número de filiados ao PT. Eles somam 1,7 milhão de brasileiros. Em teoria, bastaria que cada filiado doasse R$ 1 para que o total fosse atingido. Claro que não foi isso o que ocorreu mas essa estimativa dá uma ideia do processo.

Sem que se tenha provado nenhuma irregularidade nas arrecadações, a divulgação da (suspeita? denuncia? calunia? mentira? ) sobre lavagem de dinheiro e os pedidos de investigação são apenas tentativas de esconder um fato político de primeira ordem: a visão de muitos brasileiros sobre o "maior julgamento da história" está mudando – e rapidamente.

Em vez atender ao grotesco pedido de Joaquim Barbosa, estes cidadãos mostram que os condenados não serão punidos com o esquecimento. Pelo contrário. Tem gente que é capaz de colocar a mão no bolso para dizer que serão lembrados.

O esforço para criminalizar as doações é apenas uma tentativa de criminalizar um movimento político legítimo e, do ponto de vista de muitas pessoas, necessário.

Não há nada de novo aqui, quando recordamos qual era o sentido a ação penal 470: criminalizar lideranças de um governo que, com todas as falhas e defeitos, mostrou-se capaz de realizar diversas mudanças urgentes, de interesse da maioria da população.

O sinal novo, que não se quer enxergar, encontra-se nas doações.

Abatidos, derrotados e desmoralizados depois do julgamento, os eleitores de Lula, os filiados ao PT, sindicalistas e milhares de cidadãos de convicções democráticas mostram que não perderam a capacidade de incomodar-se diante de uma injustiça cada vez mais visível.

Perderam o medo de mostrar seu inconformismo.

É por isso que as doações incomodam, quando deveriam ser celebradas.

Elas expressam uma força que nossos vira-latas da sociologia barata tanto elogiam nos países desenvolvidos – a presença, em nossa sociedade, de homens e mulheres que não se dobram nem se submetem.

Já vimos, inúmeras vezes, como essa capacidade de resistência tem importância em nossa história. O processo está se repetindo, e a arrecadação é apenas um sinal.

As doações mostram, essencialmente, que cresce o número de pessoas convencidas de que tivemos um julgamento injusto, partidarizado e contraditório. Não é para menos.

Está cada vez mais evidente que não era possível impedir o desmembramento da ação penal 470 depois de garantir esse direito aos réus do mensalão PSDB-MG.

A decisão de manter sob sigilo as provas reunidas nos 78 volumes do inquérito 2474, que pode ser acompanhada num vídeo disponível na internet, mostra-se tão ilegítima como suspeita. Pergunta-se: se as provas da acusação contra eram tão boas e tão consistentes, por que deveriam ficar escondidas?

Além de serem condenados por uma doutrina que dispensa provas individuais contra cada um dos réus, como manda o Direito Penal, os réus agora enfrentam penas agravadas artificialmente, apenas para garantir que eles ficassem submetidos a longas temporadas sob regime fechado.

O voo de 15 de novembro, a guerra de laudos médicos, a tensão fabricada contra prisioneiros do AP 470 e os demais apenados, numa tentativa tosca de denunciar "privilégios" que nunca se mostram, apenas demonstra um esforço para desmoralizar os réus, e criar um estigma político para impedir e uma discussão serena e necessária sobre o julgamento.

O ponto é este. As pessoas que criminalizam as doações temem, acima de tudo, serem criminalizadas pela própria consciência. Sabem que poderão ser cobrados pelo silêncio, pela omissão, pela hipocrisia.

Mais uma vez, e há uma ironia amarga, aqui, é a noção de que todos são inocentes até que se prove o contrário que está em jogo aqui.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CHUVA

por Moreira Campos

                                                                                                                                                                                                                                                                    













São as primeiras águas de janeiro. 
Banham-se as folhas, 
sobe do chão o cheiro de terra molhada, 
que me penetra 
e repentinamente me transporta. 
Há pedaços de infância nesta chuva. 
Tento reconstituir o retábulo de azulejo, 
traço com traço.
Um azulejo antigo,
de ingenuidade colonial.

O banho sob o jacaré na calçada?
O mergulho no Poço das Pedras?
A fria fuligem vinda da telha-vã
e que caiu na minha rede?
A oração que minha mãe me ensinou
e que o homem esqueceu?

A voz rolada do trovão que amedronta,
porque vinda das origens?
O relâmpago que iluminou o guarda-roupa?
(Minha mãe cobria todos os espelhos).
A manhã que amanheceu lavada como a minha infância,
com asas de insetos na calcada?

Tento viajar no tempo,
reconstituir os desenhos do retábulo.
Inútil.
Só o imponderável.
E esta chuva,
que chora em gotas na vidraça,
como eu me choro.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Horizontes da Integração Latino-Americana

por Luiz Inácio Lula da Silva

A volta de Michelle Bachelet à presidência do Chile é um fato muito auspicioso para a América do Sul e toda a América Latina. As notáveis qualidades humanas e políticas que ela demonstrou em seu primeiro governo e, posteriormente, no comando da ONU Mulheres, a entidade das Nações Unidas para igualdade de gênero, conferiram-lhe um merecido prestígio nacional e internacional. Sua liderança – ao mesmo tempo firme e agregadora – e o seu compromisso de vida com a liberdade e a justiça social, fazem de Bachelet uma referência importante em nosso continente.

A consagradora vitória que acaba de obter revela também que o povo chileno, tal como os outros povos da região, anseia por um verdadeiro desenvolvimento, capaz de combinar o econômico e o social, a expansão das riquezas com a sua equitativa distribuição, a modernização tecnológica com a redução das desigualdades e a universalização de direitos. E reivindica, além disso, uma democracia cada vez mais participativa.

Por outro lado, a eleição de Bachelet inegavelmente reforça o processo de integração sul-americana e latino-americana, na medida em que sempre apoiou com entusiasmo as iniciativas voltadas para o desenvolvimento compartilhado e a unidade política da região. Basta lembrar a sua contribuição decisiva para a criação e consolidação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), da qual foi a primeira presidente, e para a constituição da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). Aliás, nunca houve na América Latina tantos governantes comprometidos com esse processo.

Estive no Chile durante o segundo turno das eleições justamente para debater as perspectivas da integração, participando de um seminário internacional promovido pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e o Instituto Lula.

Durante dois dias, 120 lideranças politicas, sociais e intelectuais dos nossos países fizeram um diagnóstico atualizado e debateram uma agenda concreta para o desenvolvimento e a integração regional.

Discutiu-se francamente a inserção da América Latina na economia mundial; a arquitetura político-institucional da integração; o papel das políticas sociais, especialmente no combate à pobreza; as cadeias produtivas supra-nacionais; as empresas translatinas; as conexões físicas e energéticas; a cooperação financeira e os mecanismos de investimento; os direitos humanos e laborais; a defesa do patrimônio ambiental e da diversidade cultural.

Há um grande consenso sobre a necessidade da integração, que interessa na prática a todos os nossos povos e países, independentemente da coloração ideológica dos respectivos governos. As diversas regiões do mundo estão se integrando e constituindo blocos econômicos e políticos, e não faria sentido que apenas a América Latina e o Caribe deixassem de unir-se. Nossos países viveram secularmente de costas uns para os outros e todos sabemos o quanto isso foi nefasto em termos de fragilidade geopolítica e de atraso socioeconômico. Não se trata de um movimento contra os países desenvolvidos, com os quais queremos incrementar nosso intercâmbio em todos os níveis, mas de legítima afirmação da nossa própria região. O aprofundamento da integração latino-americana – política, cultural, social, de infraestrutura, de mercados – é um caminho natural e lógico, destinado a aproveitar a nossa proximidade territorial e cultural e as nossas vantagens comparativas. Sem falar que, juntos, seguramente teremos mais força para garantir nossos direitos no âmbito global.

É opinião geral que, na última década, tivemos conquistas extraordinárias em matéria de parcerias e cooperação. Aumentou a confiança e o diálogo substantivo entre os nossos países, sem o que não se conseguiria criar a UNASUL e a CELAC. Mas as relações econômicas também se expandiram consideravelmente. O comércio, por exemplo, cresceu de modo impressionante. Em 2002, segundo a CEPAL, o fluxo total do comércio intra-regional na América do Sul era de U$33 bilhões; em 2011, já havia atingido os U$ 135 bilhões. No mesmo período, o fluxo no conjunto da América Latina passou de U$ 49 bilhões para U$ 189 bilhões. E o seu horizonte de crescimento é enorme, pois somos um mercado de 400 milhões de pessoas e até agora só exploramos uma pequena parte do nosso potencial de trocas.

O mesmo acontece com os investimentos produtivos. As empresas da região estão se internacionalizando e investindo nos países vizinhos. No caso brasileiro, tínhamos poucos investimentos industriais na América Latina. Hoje, são centenas de plantas, em mais de 20 países. E a recíproca, felizmente, é verdadeira: existe um número crescente de empresas argentinas, mexicanas, chilenas, colombianas e peruanas, entre outras, produzindo no Brasil para o mercado brasileiro.

É evidente, no entanto, que precisamos avançar muito mais. Devemos acelerar a integração, que pode ser mais profunda e abrangente. Para isso, com certeza, não bastam as visões de curto prazo. Tenho dito que necessitamos de um pensamento realmente estratégico, capaz de encarar os desafios da integração na perspectiva do futuro, dando-lhes respostas corajosas e inovadoras. Temos que ir, igualmente, além dos governos, por fundamentais que eles sejam. A integração é uma bela empreitada histórica que só se concretizará plenamente se lograrmos comprometer toda a sociedade civil dos nossos países, os sindicatos, os empresários, as universidades, as igrejas, a juventude.

É imprescindível construir uma vontade popular de integração. O principal é que todos compreendam o quanto podemos ganhar coletivamente na economia, na soberania política, na igualdade social, no desenvolvimento cultural e científico com a associação dos nossos destinos.