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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fortaleza comemora o Dia Municipal do Forró no próximo dia 13

O evento, em parceria entre a Associação Cearense de Forró e a Secultfor, homenageia Luiz Gonzaga, abrindo as comemorações de seu centenário de nascimento, que acontece próximo ano.

Boa notícia para os amantes do forró de qualidade. Fortaleza realiza a primeira edição do Dia Municipal de Forró, no próximo dia 13, aniversário de Luiz Gonzaga. A data, que abre as comemorações do centenário do Rei do Baião, foi aprovada em março deste ano pela Câmara Municipal e passa a integrar o calendário oficial de eventos culturais da cidade. Quem organiza a atividade no Polo Luiz Gonzaga, no Conjunto Ceará, é a Associação Cearense do Forró (ACF), com o patrocínio da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

Ao todo, 20 atrações devem cantar duas músicas: uma escolhida entre gravações dos próprios artistas e outra em homenagem a Luiz Gonzaga. Neste caso, as canções foram definidas por sorteio. Ainda integra a programação a Orquestra Sanfonas do Ceará e o Balé Folclórico Arte Popular. “Pensamos numa grande confraternização entre os artistas locais e a Orquestra de Sanfonas do Ceará e nada melhor do que fazer essa festa no Polo Luiz Gonzaga, no Conjunto Ceará. Queremos que esse evento se torne uma tradição.”, explica Walter Medeiros, presidente da ACF e membro do Conselho Municipal de Política Cultural de Fortaleza. “Selecionamos artistas que fazem parte da nossa história musical e, além disso, estão engajados na luta por esse movimento do forró de qualidade”.

O cantor e compositor Diassis Martins comemora o reconhecimento ao forró encabeçado por Luiz Gonzaga. “O forró é a maior manifestação cultural do Nordeste, e Luiz Gonzaga foi seu maior divulgador. É muito importante a criação dessa data para que se possa perpetuar para os mais jovens o forró de qualidade, que tem letra e melodia. A administração de Fortaleza sempre incentivou esse tipo de música, como artista reconheço isso”. Diassis, dentro dessa linha da preservação, deve lançar em janeiro o CD “Diassis Martins cantando Gonzagão”, com 18 músicas cantadas pelo Rei do Baião. Durante a apresentação do dia 13, ele vai interpretar “10 mandamentos do amor”, de Jeovah de Carvalho e Dadá di Moreno, e “A Vida do Viajante”, do próprio Luiz Gonzaga.

Já o compositor Messias Holanda defende que o forró deve ser mais protegido. “Tem de ser aguado que nem planta, pros mais novinhos passarem a conhecer e não esquecerem a cultura verdadeira. O nosso forró é muito sofredor, empurra pra lá, empurra pra cá, e ele ainda resiste”. No dia 13, ele interpreta “Ovo de Codorna”, de Gonzagão; e de sua autoria, o sucesso “Pra tirar coco”. “Pra onde eu vou, esse pé de coco se espalha, é automático”, brinca.

José Alderir Alves da Costa, mais conhecido pelo nome artístico Estrela do Norte, não é cearense, mas escolheu o estado para investir no que chama de seu “forró de verdade”, título que também dá nome a seu CD. “Sou de Mãe do Rio, no Pará, mas meus pais são cearenses. Dos 13 anos que estou em Fortaleza, 11 venho dedicando ao forró”, explica. O artista se iniciou na carreira com a música Xote Ecológico, composição de Luiz Gonzaga em homenagem a Chico Mendes. Por isso, só tem o que comemorar com a criação da data. “Esse dia, a meu ver, é uma conquista ímpar para a associação, é de fundamental importância”. No dia 13, Estrela apresenta “A sorte é cega”, de Gonzaga, e “Feliz da Vida”, de Flávio Leandro.

SERVIÇO
Dia Municipal do Forró, dia 13, a partir das 18h, no Polo Luiz Gonzaga, no Conjunto Ceará. Entrada Franca. Informações: Assessoria de Imprensa da Secultfor: 3105.1386

Atrações:
Adelson Viana
Bel Lima
Netinho do Ceará
Cacimba de Aluá
Klebão Feitosa
Oswaldinho do Ceará
Cumpade Barbosa
Diassis Martins
Estrela do Norte
Haja Forró
Messias Holanda
Neo Pi Neo
Os Januários
Sergiane
Tom Canhoto
Trio Xodó
Val Xavier
Chico João
Ivis Felipe
Pedro Marques

Participação Especial:
Orquestra Sanfonas do Ceará
Balé Folclórico Arte Popular

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O forró no Brasil – contextualização histórica

No século XVI (chegada de portugueses em terras brasileiras), quando ocorre o encontro dos diferentes povos, de diferentes nações, algo de fato acontece à formação cultural brasileira. Ocorrerá cá nestas terras, o nascimento de uma identidade cultural sincrética que perpassa até os dias atuais.
“Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros, uns e outros aliciados como escravos” (RIBEIRO: 1995, p. 19).
A vocação musical dos índios que aqui estavam, era expressa não só no seu jeito de tocar, mas também na sua forma de dançar. Os portugueses tratam de “reeducar” estes primeiros povos pela catequese dos Jesuítas dentro dos aldeamentos onde os índios aprendiam a tocar flauta, viola e pandeiro.
Posteriormente, chegam os negros africanos com a sua ginga, o seu requebrado sensual e suas batucadas. A cultura nossa de cada dia inicia-se da junção dessas três culturas distintas.
No século XIX, após a chegada da corte de D. João VI, a cultura era associada ao conhecimento que algumas pessoas ditas “cultas” acumulavam ao longo da vida e também associada às artes de origem européia (pintura, literatura, música, teatro).
Devido a esta concepção de cultura, o Estado, durante o Império e a República Velha, criou instituições que excluíam mais ainda as expressões culturais da população indígena, negra e mestiça. Estas expressões eram classificadas pelos grupos dominantes como folclore, o que de fato soava negativamente. Durante este período da história brasileira, o Estado atuava, em temos culturais, como mecenas de artistas e intelectuais talentosos que surgiam. Obviamente eram beneficiados apenas aqueles cuja arte era de influência européia.

Estudiosos há tempos vêm se preocupando em decifrar esta manifestação cultural popular denominada de forró:
A primeira, quanto á palavra "forrobodó" (termo africano) foi conceituada pelo folclorista potiguar Luis da Câmara Cascudo, que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem. Outros ainda tentaram decifrar este termo, mas sem concretude. Uma segunda teoria sobre a origem da palavra está associada à expressão da língua inglesa for all que quer dizer para todos. For All eram nomes colocados em placas nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses no início do século XX. Estes eram engenheiros britânicos que vieram trabalhar na construção da ferrovia Great Westem em Pernambuco. Estes bailes eram abertos ao público. Como os nordestinos também participavam destes e não sabiam pronunciar a palavra original, então chamavam “forró”. A terceira versão substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco pela Natal do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nesta cidade. Boa indicação para que se tenha um maior conhecimento desta base americana é o filme: For All - o trampolim da vitória (1997), sob a direção de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz.

Na quarta versão apregoa-se que o termo forró já havia sido mencionado antes mesmo da segunda guerra mundial (1939-1945). Em 1937, cinco anos antes da instalação da referida base em Natal e Pernambuco, a palavra "forró" já se encontrava registrada na história musical da gravação fonográfica de “Forró na roça”, canção composta por Manuel Queirós e Xerém no referido ano. Xerém representava as origens caipiras através do traje, do chapéu de palha ou de couro. Cantava, dançava, fazia composições, desenhava, construía instrumentos musicais e gravou mais 40 discos 78 RPM. Nascido na cidade de Baturité – CE em 1911, Xerém fez shows em todo Brasil e faleceu no ano de 1982 aos 71 anos de idade na cidade do Rio de Janeiro.

Uma quinta e ultima versão talvez seja a designação mais coerente para o forró:
“O forró diferentemente dos diversos gêneros musicais brasileiros, tem data, hora e local do seu nascimento, assim como o nome dos pais, certo e sabido. O parto começou às quatro e meia de uma tarde de agosto de 1945, na Avenida Calógeras, no escritório do advogado Humberto Teixeira, no centro do Rio de janeiro, antiga Capital Federal. O trabalho de parto só findou lá para a meia noite, quando vieram ao mundo Asa Branca e Baião.” (ÂNGELO, 2006, p. 92).


É significativa esta explanação, para abrirmos um diálogo entre as várias vertentes e nos prender ao que de fato estar enraizado como forró até os dias atuais na figura do artista Luiz Gonzaga e do significado explicitado da música regionalizada (forró) àquela veiculada pelo folclorista Câmara Cascudo, forró como bagunça e desordem.



O forró coladinho, rala-bucho, rala-coxa; é xote, baião, xaxado, côco, marchas juninas... riqueza de gêneros da música nordestina.





Por FRANCISCO DAVID DE MORAIS FURTADO
Professor de geografia, personal dance, membro da ASPRODANÇA e da Associação Cearense do Forró.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

KBRA DA PESTE

Não tem como não admirar os meninos do Kbra da Peste no palco! Apesar da pouca idade, estes jovens sabem exatamente a que vieram.
Com a musicalidade no sangue, herdada do pai baterista e da mãe pianista, Matheus, Thiago, Roberto Júnior (Bebeto) e Jonathan fazem questão de mostrar em seu trabalho, a mais forte expressão cultural do nordeste: o forró.
O caminho musical destes grandes garotos vem de uma persistente história de amor com a música, que se iniciou quando seus pais lhe presentearam com uma sanfona, um zabumba e um triângulo.
A banda teve início como uma brincadeira, tocavam em reuniões familiares, até terem a primeira oportunidade de se apresentarem em público, na casa de shows “Lampião de Maria Bonita”. A partir dai resolveram encarar a banda com profissionalismo, tendo sempre em contrapartida o reconhecimento e aceitação do público, bem como dos profissionais ligados ao segmento.
Em 2006 a banda foi eleita revelação do ano pelo programa forrobodó. Em 2008 representaram o Ceará na mostra Brasil Nordeste (São Paulo) e na Festa do Peão de Boiadeiro (Barretos-SP).
Apesar de muito trabalho, nunca deixaram de estudar e os quatro são universitários.
Com sete anos de estrada, a principal característica do Kbra da Peste é fazer um som de qualidade, passeando por precursores da música nordestina, indo até nomes que fazem o forró hoje, incluindo em seus shows músicas autorais. A irreverência é uma das características marcantes da banda.
Através de muito trabalho e dedicação, a banda vem ganhando espaço no mercado. Estes meninos vão dar muito que falar.
E para me deixar mais encantada são torcedores do meu #Vozãodocoração #CearaSC

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

22 anos de saudade de Luiz Gonzaga

“...Senhora Rainha do Mundo Eu te suplico por piedade Olhai e amparai Esta terra da liberdadeNão deixeis que pague O justo pelo pecador Daí aos corações dos homens Paz e amor...”

O rei do baião foi homenageado pelo Projeto “Nossa Senhora das Dores, Rainha do Mundo Contempla conosco os 22 anos de Saudade de Luiz Gonzaga”.
David Morais e Frei Beto, juntamente com a Paróquia N.Sra. das Dores, ASPRODANÇA e ASSOCIAÇÃO CEARENSE DO FORRÓ, prepararam uma programação especial em homenagem ao Mestre Lua.O inicio foi no sábado, dia 30 de julho, às 14h, no KUKUKAYA, com um debate sobre música nordestina e suas origens.
No domingo, 31, aconteceu uma exposição de livros, fotografias, discos e imagens audiovisuais de Luiz Gonzaga, coordenada por Reginaldo Silva da Fundação Vovô Januário no salão da Igreja, às 20h, com palestra sobre vida e obra do eterno Rei do Baião.
Na terça, dia 02 de agosto, o pároco Frei Beto e demais convidados celebraram a missa com a presença de centenas de fiéis na Igreja Nossa Senhora das Dores.
Ítalo e Renno, foi pura emoção! Interpretaram “Súplica Cearense”, durante a liturgia preparada por Zé Vicente (Comunidades Eclesiais de Base). Músicas foram executadas pelos sanfoneiros e gonzagueanos presentes que entoaram hinos no ritmo do xote. “Asa Branca”, “Rainha do Mundo” (inspirada no ofício de N. Sra), “Obrigado João Paulo”e“Linforme instravagante” fizeram parte da lista.
Após a missa a Orquestra de Sanfonas do Ceará abriu o show que contou com a presença de inúmeros sanfoneiros e forrozeiros como Messias Holanda, Diassis Martins, Estrela do Norte entre tantos outros.
E assim com as bençãos de "Seu Luiz", que "lá de cima" observa ao lado de "Nosso Senhor", a cultura gonzagueana se perpetua. Em cada evento; shows, celebrações religiosas e culturais, debates acadêmicos e no dia a dia de nossa gente cearense, nordestina e brasileira, a obra de Luiz Gonzaga é lembrada. SAUDADES GONZAGÃO!

domingo, 10 de julho de 2011

ASSOCIAÇÃO CEARENSE DO FORRÓ

A Associação Cearense do Forró é uma contribuição para a cultura cearense, dos forrozeiros, músicos e produtores que estão nesse nicho do forró tradicional e popular. Um fórum criado em novembro de 2009, pelos forrozeiros para apreciação conjunta de propostas, projetos e ações públicas referentes à divulgação e fortalecimento do forró no Ceará e surgiu no cenário cultural do Estado para demarcar um importante território: criar, fomentar e produzir eventos ligados e direcionados ao forró, articulando, através de pesquisas, estudos, projetos culturais, sociais e educacionais, ações que contribuam com a valorização do forró no Ceará.
No Dia 13 de dezembro de 2009, na Praia de Iracema, comemoramos o Dia Nacional do Forró com os companheiros da Associação homenageando com um show, o imortal mestre Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na data de seu nascimento. Esta data comemorativa foi originada por um projeto de lei da deputada Luiza Erundina e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
ADELSON VIANA e NETINHO DO CEARÁ, famosos acordeonistas, CACIMBA DE ALUÁ com o violonista MANASSÉS, KBRAS DA PESTE, TOM CANHOTO, DIASSIS MARTINS, MESSIAS HOLANDA contagiando com o”o pé de côco) e OS MANEIROS participando da festa no ritmo envolvente do forró autêntico.
Eu (Alexandrina), Bob Araújo, Neo Pineo e Walter Medeiros, presidente da Associação, nos bastidores, participando da festa.
Em 24 de junho de 2010 foi um dia histórico, festa de lançamento da Associação Cearense do Forró, uma espécie de ‘sanfonia’, abraçando a Praça do Ferreira, no centro de Fortaleza. Um encontro de várias gerações: FELIPE, o menino sanfoneiro, o veterano ZÉ DE MANU e ESTRELA DO NORTE, músicos como ADELSON VIANA, ÍTALO E RENNO, NETINHO DO CEARÁ, além de MESSIAS HOLANDA, lendário forrozeiro, presidente de honra da Associação. Esse encontro caracterizou a Associação como símbolo da polifonia de vozes, diversidade de timbres, estilos e formações musicais.
Sanfoneiros exímios, intérpretes, difundindo o estilo de Luiz Gonzaga... Foram muitas entrevistas, sempre valorizando o forró, gênero autenticamente nordestino.
Em setembro de 2010, a deputada Rachel Marques, juntamente com a Associação Cearense do Forró, homenageou um filho ilustre do sertão nordestino, ícone da Música Popular Brasileira: o cantor e compositor Luiz Gonzaga, pelos 21 Anos de Saudade e sua relação com o Ceará.
Na mesa, o presidente da Associação Cearense do Forró, Walter Medeiros.
A dupla Ítalo e Renno abriu a Sessão executando o Hino Nacional e Adelson Viana, coordenou a execução das músicas "Baião" de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira e "Asa Branca" de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira por um grupo de sanfoneiros e ao final da sessão tocou e cantou o hino do Ceará.
Foram homenageados: REGINALDO SILVA, WALDONYS, DILSON PINHEIRO, PADRE GOTARDO (representado por Eurídes) e ZÉ DE MANÚ.
A música "Tem Pouca Diferença" de Jackson do Pandeiro, gravada por Gonzagão e Gal Costa, foi executada por Vanin do Acordeon e Nicinha do Acordeon.
Foi uma honra para a Associação Cearense do Forró e para a deputada Rachel Marques, homenagear um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, considerado uma instituição da música popular brasileira, que gravou 56 discos e compôs mais de 500 canções, “o rei do baião”, “o mestre Lua”, filho de Januário, pai de Gonzaguinha, ou simplesmente, Luiz Gonzaga.
Essa sessão solene com participação da Associação Cearense do Forró com seus sanfoneiros exímios, intérpretes, produtores e divulgadores do estilo de Luiz Gonzaga, foi mais uma de tantas ações que pautam o cotidiano desta entidade com entrevistas e eventos sempre valorizando o forró, gênero autenticamente nordestino.