Tenho participado de grupos de gestantes na área de adscrição do NASF em que trabalho discutindo diversos temas ligados à gestação e ao parto. A temática das vantagens e desvantagens de cada tipo de parto reportou-me ao nascimento de minhas duas filhas, ambas de parto vaginal.
Convicta defensora do parto normal (vaginal) pela rápida recuperação, ausência de dor pós-parto que possibilitou tranqüilidade e favoreceu a lactação bem como a participação ativa no nascimento, tive a felicidade de parir por duas vezes como sempre desejei. Ressalto que a grande confiança no meu queridíssimo obstetra Dr. Aluízio Soares, parteiro extremamente habilidoso facilitou muito.
Não entendo por qual motivo hoje esse tipo de parto só é majoritário entre as mulheres com baixo poder aquisitivo que não dispõem de planos de saúde ou dinheiro para pagar particular. A prevalência do parto cesariana é arrasadora entre usuárias de planos de saúde, e até mesmo entre mulheres da área de saúde. Mesmo cientes do risco de morte da mãe bem mais elevado, do dobro de tempo na permanência hospitalar, além do risco de infecção e hemorragia, a cada ano a escolha por esse tipo de parto aumenta. Para o bebê, maior risco de ter desconforto para respirar após ser extraído.
Por outro lado, acho que a mulher tem o direito de escolha e lamento que muitas que desejam realizar uma cesariana não conseguem.
A medida que o tempo passa, essa diferença aumenta ao ponto do parto normal no Brasil ser “coisa de mulher pobre”.
Hoje é difícil encontrarmos médic@s que se disponham a acompanhar um parto normal. A grande maioria prefere marcar dia e hora e antecipar o nascimento das crianças mesmo que mãe e filho estejam saudáveis e em plenas condições para o parto vaginal.
No Serviço Único de Saúde estimulamos as mães ao parto natural, porém as mesmas não tem o direito de escolha usufruído pelas parturientes do Sistema Suplementar.
Oxalá todas as mulheres conquistem o direito de parir com segurança e da forma desejada!
